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Promoção do ano no Rio de Janeiro – Grande queima de veículos (e de dinheiro)


(…) Aquilo que não se consegue com argumentos, obtém-se com chacotas.

Os brasileiros, naturalmente ufanistas, sobretudo pelo tamanho do País, já acumula motivos de sobra para se preocuparem com uma possível invasão do bispo do Paraguai, índio da Bolívia ou o do coronel da Venezuela, sobretudo diante do festival de incompetência e hipocrisia que ocorre na cidade do Rio de Janeiro. O que deveria ser uma ação policial transformou-se num espetáculo de televisão e, diga-se, paupérrimo e repetitivo, na tentativa insana de transformar chorrilho de incompetência em uma grande ação militar, ao estilo roliude e aos moldes das grandes batalhas da história. O Dia D, na Normandia. Não sou conhecedor de táticas militares e, muito menos, da geografia da cidade do Rio de Janeiro. Mas, nos poucos segundos que dediquei, por acaso, a assistir a televisão, pude ver imagens de um enorme bando de fugitivos de uma Vila Cruzeiro, em meio a um capinzal, rumo a outro aglomerado ou favela, não sei ao certo. Isso depois de o lugar em que se encontrava ter sido tomado pela polícia. Um triste espetáculo. O lugar ermo, invadido por homens em desnorteada debandada. Do alto, a TV mostrava a tragicômica e ridícula cena, mas nada de polícia, ou forças militares como queiram. Uma voz abafada, uníssona de Norte a Sul, berrava em murmúrio: cadê a polícia???? – E a marginalia encontrou refúgio em outras paradas, sem ser incomodada, a não ser pelas câmaras de TV, que viram o que a polícia deveria ter previsto, fosse séria e competente. Se Stanislaw Ponte Preta vivo fosse, veria o seu Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá), ao vivo e em cores para o horror daqueles a quem ainda resta um restinho de senso crítico. Milhões e milhões de nosso dinheiro estão sendo gastos em mais este espetáculo de vaidades, hipocrisia e incompetência. E pior: sabemos de antemão que nada. Absolutamente nada dará de resultado positivo em termos de coibir a ação de traficantes. Simples: não se ataca a raiz do problema. Não se altera as leis benevolentes e instituídas justamente para dar guarita às ações criminosas. Quisessem, sabem mais do que nós, que o tombo é mais em cima. Bem acima dos morros. Alguns números, pegos aleatoriamente, demonstram claramente que não há, de fato, vontade política, coragem, para cortar o mal pela raiz. Há, sim, um desdém geral para com a realidade do dia-a-dia da população. Vejamos: nestes oito anos de Governo Lula, o Brasil registrou 700 mil mortes violentas. O que foi feito? Nada, absolutamente nada. A mídia mostrou? Nada, absolutamente nada. Dados somente da cidade do Rio de Janeiro, por mês: 10 mil assaltos; 500 estupros; 2 mil furtos de automóveis. Isso para citar somente alguns dos aterrorizantes dados. Mas a violência desenfreada não se restringe à Cidade Maravilhosa: o número de homicídio no estado do Pará é dez vezes superior do que o de São Paulo, que possui população dez vezes maior. O índice de criminalidade em Curitiba é três vezes maior do que o da capital São Paulo. 80% das armas que circulam nas favelas do Rio de Janeiro chegam do Paraguai. 80% das drogas, da Colômbia e da Bolívia. Por que não fecham a entradas das favelas? Será que desejam mesmo exterminar o tráfico e a violência, ou apenas querem dar uma satisfação para a população e oferecerem espetáculo para a televisão às nossas custa? E outra pergunta que não quer calar: será que nossas forças de defesa nacional é aquilo que está agindo no Rio de Janeiro? Se sim, estamos perdidos. Bem vindo, Hugo Chavez, mi casa, su casa… Aproveite o final de ano, e a grande queima de veículos no Rio de Janeiro. É como diria Erasmo de Roterdan, (…) aquilo que não se consegue com argumentos, se obtém com chacotas. É o jeito.

Comments

  1. Oi Juah, tomo a liberdade de discordar da sua opinião. Acho sim que se tornou um espetáculo, afinal, vivemos na sociedade do espetáculo.
    Sobre “Cadê a polícia?” na debandada dos marginais, a polícia não poderia estar num vale, no meio do fogo cruzado entra o Alemão e a Vila Cruzeiro, seria suicídio.
    Penso que o planejamento estratégico foi muito bom sim, e desde o começo das UPPs. Já foram 12, os bandidos correram para a Vila Cruzeiro/Alemão e desta vez foram cercados e perderam territórios. Onde tem UPPs não há mais domínio armado do tráfico, milhares de pessoas dessas comunidades vivem em paz. Falo por mim que passei uma madrugada no Pavão-Pavaozinho, pacificado, cobrindo matéria do Choque de Ordem. Há dois anos nem a polícia entrava. Assim como há anos também não entravam no Complexo e na Vila.
    O problema está sendo construído há décadas. Porém há poucos anos alguém resolveu mexer no vespeiro. E o Secretário de Segurança Pública o faz com muita competência.
    A mídia pode transformar tudo em espetáculo, o governador, político que é, também. Mas que há um minucioso planejamento, força de vontade, teoria e prática, há.
    Com certeza não vai resolver o problema, mas que foi um grande passo não há como negar. O pior problema do Rio de Janeiro não é o tráfico, mas o domínio armado territorial que ele impõe. E isso está acabando. O que virá em paralelo, políticas públicas, saúde, educação e todo aquele discurso que a gente já conhece, é lucro!
    Bjs,
    Karol

  2. BLOG DO JUA says:

    Karol,
    obgdo pela manifestação e creio que você está cheia de razões. Mas, para mim, trata-se de um filme repetido, com o mesmo fim e realizado sem planejamento, seriedade e competência. O mesmo Morro do Cruzeiro, embora eu não conheça detalhes geográficos, já havia sido “tomado” em 2008 por essa mesma Polícia. Além disso, se as operações eram de guerra, como é possível não conseguir isso ou aquilo numa guerra, sobretudo com as forças de defesa nacional? Sei não, tomara que eu esteja realmente errado, mas, pelo jeito, o final será o mesmo das películas anteriores.
    Bjão.

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