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Não há uma nação para o povo, mas asfixiante tortura para a perpetuação do poder


(…) só me restando agora a tentativa de tirar o atraso na descida da serra (…)

Nada mais constrangedor e enervante do que procurar qualquer repartição pública, dessas onde abundam a autoridade, o autoritarismo e a petulância. Humilhante a forma com que tratam você, especialmente em repartições ao estilo dos cobradores de impostos. Em Os Donos do Poder, Raymundo Faoro diz que, “… o poder estamental burocrático concentra no Estado toda sua força e faz dele a impostação da voz-sócio-econômica e cultural do povo, não há, portanto, uma nação para o povo, e sim para perpetuação dessa forma de poder. Por essa razão é asfixiante …”, (p.181). Mas quem é esse maldito Estado que ninguém conhece e que tanto nos oprime, explora e humilha e de quem tanto reclamamos? Existe uma coisa que manipula-nos? ou existem pessoas, em carne e osso como todos, travestidas de Estado e que perseguem-nos como se fôssemos, todos, delinqüentes inimigos potenciais? Esse tal Estado é o resultado de pessoas, de gente como a gente que, de posse de algum cargo, arrota superioridade e sente-se superior. A petulância, a indiferença e o desprezo são inversamente à altura do cargo, quanto mais baixo, maior, e menor o respeito e o tratamento dispensados aos financiadores de seu emprego. Secretárias e secretários, porteiros e atendentes semi-analfabetos, protegidos do rei ou que decoraram alguma forma qualquer e passaram em um concurso qualquer, acreditam-se donos do poder, assenhoreando-se da verdade e mastigando chicletes ruminam seus recalques nos infelizes que caem em suas malhas burocráticas. Esquecem-se – por indolência, senilidade, falta de inteligência ou de instrução – que já fizeram parte dos infelizes, são incapazes de compreender Karl Popper, in ‘As Origens do Conhecimento e da Ignorância’, de que (…) Vale a pena lembrar que, embora haja uma vasta diferença entre nós no que diz respeito aos fragmentos que conhecemos, somos todos iguais no infinito da nossa ignorância. E eu, particularmente, nem sei se o mundo porventura já foi melhor, de toda maneira, estou com Gustavo Corção e, igualmente, creio que “Cheguei tarde à Igreja, à filosofia, à política, ao jornal e ao livro. Cheguei atrasado a tudo, só me restando agora a tentativa de tirar um pouco do atraso na descida da serra, como os trens da Central.”.

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