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Ano Novo – Querer e não querer são sempre a mesma e a única coisa…


O ano já está bem em seu finzinho e um novo está bem próximo. Agora, faltam 15 minutos para meia noite. Para o novo ano de 2009. Foguetes, fogos multicoloridos pipocam por todos os cantos da cidade. Carros passam em desabalada carreira, com os ocupantes, certamente, com receio de o ano chegar e não verem. Daí, correm. Nos bares, clubes, praias, nas ruas, na cidade, no campo e até numa casinha de sapé, o que mais ouve-se e fala-se é de esperança. Essa vem traduzida em planos, projetos, promessas, sonhos. Uma renovação. Uma noite normal como todas as outras 364 do ano transforma-se numa varinha de condão, numa fada madrinha, capaz de transformações fantásticas usando apenas os ponteiros do relógio e o calendário na parede. Um novo dia, mais do que isso, um novo ano surge carregado de esperança. Para muitos, a salvação, para outros, o pior dos males. Esperança está sempre acompanhada do inseparável irmão gêmeo de nome Desejo. Para muitos o impulso da esperança. Para outros, o principio de todo o sofrimento humano. Esperança nasceu primeiro. Germinada pela curiosidade da mãe de todas as evas, Pandora («todos os dons» em grego), que abriu a caixa deixando escapar todos os males que sufocam a humanidade. Ela, a esperança, foi a única que ficou na caixa. Não conseguiu sair antes que Pandora e Epimeteu (“o que vê depois”) fechassem a caixinha. Existem inúmeras interpretações para essa alegoria. Para aqueles não muito familiarizados com o mito, as notícias não são muito alvissareiras, mesmo sendo a última a morrer. Meia noite. Lembro-me das palavras de Friedrich Nietzsche para quem a esperança o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens. Nietzsche faz lembrar um de seus inspiradores, Arthur Shopenhauer. Realista, via nos desejos e nas vontades as causas de todos os males, porquanto da esperança e dos desejos, quase sempre não alcançados, advém a frustração. Nasce o sofrimento. O mundo não permite que as vontades sejam satisfeitas na plenitude, há os obstáculos inevitáveis, e o resultado é a dor, que a esperança mimetiza ou abafa no esquecimento, renascendo a cada virada de ano. Daí tudo se repete conti-nuamente. Como resultado, sempre, frustrações e sofrimentos, simplesmente porque não aceitamos nosso papel. Somos imediatistas. Não conseguimos enxergar a vida no ponto de vista da eternidade. Desconhecemos nossos limites e continuamos insaciáveis na vontade. Alguém disse, mas insistimos em não ouvir: Só depois de o homem ter abdicado de todas as pretensões possíveis e de ter ficado reduzido à existência nua e crua é que tornar-se-a partícipe daquela tranqüilidade espiritual que constitui o fundamento da felicidade humana. Mas até lá, ouçamos Sêneca, para quem querer e não querer são sempre a mesma e a única coisa… E lembremos que até Pandora, a Humanidade vivia num mundo perfeito, em que não havia males nem sofrimento. A Esperança era então desnecessária. Mas no mundo imperfeito em que vivemos talvez seja a Esperança o mal mais necessário. Mas não esquecendo que, Se perdeste a posse de um mundo, /// não sofras, não é nada; /// se conquistastes a posse de um mundo, /// não te alegres, não é nada. /// passam as dores, passam os contentamentos, /// passas tu ao largo do mundo, não é nada. Bem, vou dormir, pois já passam 33 minutos do ano de 2009. Boa noite.

Comments

  1. Marcelo Costa says:

    Grande amigo JuarezRealmente você é uma pessoa incrível. Escreve durante a passagem do Ano Novo…De qualquer forma, sua mensagem é sábia. Fernando Henrique Cardoso e o Grande Apedeuta deveriam lê-la. Mas o primeiro, só lê o que ele quer; pede até para esquecer o que ele escreveu. O último, não sabe ler…

  2. BLOG DO JUA says:

    Incrível é ter amigos que entusiasma e fortalece-nos, como o caro Dr. Marcelo. Mto. Obgdo., gde. ab., e Feliz Ano Novo, com Apedeuta e e os FHs…

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